sábado, 11 de fevereiro de 2017

Para uma crítica da pedagogia marxista


A pedagogia marxista partilha com a teoria marxista a concepção dialéctica e materialista da história e o entendimento de que a educação e a cultura são superestruturas derivadas da infraestrutura económica e social. Para além disso, partilha com a teoria marxista a defesa do "valor supremo e antropogenético do trabalho, a teoria da praxis como modelo da actuação humana, a explicação dualista e conflitual das classes sociais na sociedade burguesa (aparecidas pelo facto da posição de domínio e exploração de uma delas sobre a outra), a afirmação do triunfo final da supressão das alienações humanas (religião, culto do pensamento abstracto, existência da família, vigência do papel político do Estado, divisão social do trabalho, dependência do operário com respeito a um salário, renúncia do operário em ser dono do produto do seu trabalho), propriedade colectiva dos meios de produção, a revolução violenta como meio de avançar nesse processo até ao comunismo universal, e a ditadura do proletariado para dirigir essa revolução" (1).

Uma vez que a pedagogia marxista é profundamente dogmática, não tem conhecido grandes evoluções desde que Karl Marx criou os seus fundamentos filosóficos, na segunda metade do século XIX. 

Quintana Cabanas (2) resume, assim, os seus princípios: "atribuição da força educativa aos factores ambientais e metodológicos; educação no seio do grupo e por meio do grupo (o colectivo infantil e juvenil); prioridade da formação prática do aluno sobre a sua formação teórica; sistema educativo baseado na escola do trabalho, segundo a ideia de que o trabalho é não só meio mas também finalidade da educação; incorporação do trabalho produtivo no currículo escolar; formação polivalente do indivíduo, capacitando-o para diversas actividades profissionais; ideal humanista complementar dessa formação profissional, com especial relevância para a educação física e a educação estética dos alunos; a educação moral é objecto de atenção particular, entendendo-se por ela a ética marxista (que considera como dever principal dos indivíduos a luta pela defesa e expansão do comunismo); inculcação sistemática e obrigatória, aos educandos, da ideologia marxista; tendência para a formação do homem novo, quer dizer, do homem comunista para uma sociedade comunista; a educação será, pois, não só dogmática, mas também autoritária; a educação compete ao Estado; a família só pode educar por delegação do Estado e sob o controle deste; sistema de escola única e igual para todos, sujeita a critérios sociais de selectividade; sistema de coeducação absoluta, no sentido de dar o mesmo tipo de educação aos dois sexos e conjuntamente; a educação não tem uma finalidade individualista (educar o indivíduo para si mesmo), mas social".

Marx e Engels escreveram muito pouco sobre educação, embora seja deles a concepção de que a educação e a cultura fazem parte da superestrutura derivada da infraestrutura económica e social. Quer isto dizer que a escola está sempre ao serviço do regime económico e social vigente e dos detentores dos meios de produção. Legitima esse domínio e ajuda a perpetuá-lo. Lenin e, sobretudo, Makarenko, traçaram as linhas gerais de uma pedagogia marxista aplicada a uma sociedade a caminho do socialismo e dirigida pelo partido comunista.

A pedagogia marxista sofreu um enorme revés com a queda do muro de Berlim e o colapso da União Soviética, registados na Segunda metade da década de 80. Ficaram, ainda, alguns países dirigidos por partidos comunistas, como a China, a Coreia do Norte, Vietnam e Cuba, mas, na China e no Vietnam, os partidos comunistas têm vindo a criar uma nova economia capitalista, cujas consequências estão, ainda por apurar. Seja como for, esses países continuam, ainda, a impor a pedagogia marxista nas escolas do Estado. Para um estudo mais aprofundado da pedagogia marxista nos tempos da União Soviética, aconselhamos a leitura do livro de Suchodolski, "Teoria Marxista da Educação" (México, Grijalbo, 1965).

A pedagogia marxista, tal como foi imposta na União Soviética durante sete décadas, assumiu duas dimensões: "uma dimensão de ideologia marxista, correspondente à cosmovisão comunista e ao programa pedagógico dos princípios antes mencionados e que resulta totalmente arbitrária e inoportuna a quem não tiver uma mentalidade marxista e uma dimensão de Pedagogia realista, respondendo a uma concepção tradicional da educação, feita de experiência prática e de bom senso, que encerra muitos dos valores da chamada Pedagogia perene e que é a causa de alguns bons resultados da educação comunista. Assim, por exemplo, enquanto nos países liberais está em crise o princípio da autoridade na educação, até ao ponto de muitos professores se verem impotentes para fazer trabalhar os alunos nas nossas escolas e enquanto baixamos o nível dos estudos com métodos globalistas que não exigem o hábito do esforço e da memória, ou pretendemos respeitar muito as opções dos alunos, deixando-os abandonados aos seus caprichos e falta de experiência, nos países comunistas exige-se ao aluno respeito e cortesia para com as pessoas mais crescidas, atenção e obediência ao professor, rendimento na aprendizagem, sentido de responsabilidade social, disciplina na sala de aula e uma série de virtudes tradicionais que são a base de um trabalho escolar sério" (3).

Quintana Cabanas (4) descreve deste modo as características mais importantes da pedagogia marxista soviética: "a superestrutura da sociedade influencia activamente o desenvolvimento histórico. Pode impedir ou impulsionar o progresso social. A educação é um elemento essencial da superestrutura da sociedade...; a educação é um fenómeno social consistente em que uns homens actual sobre outros para os formarem segundo um fim proposto...; a chave da pedagogia soviética está na união do ensino com o trabalho produtivo, a ginástica e a formação politécnica...;um princípio de política educacional é a implementação de uma escola politécnica do trabalho; os princípios da educação soviética são os seguintes. Educação igual, gratuita e obrigatória para todos, em instituições estatais...; na idade pré-escolar, podem certas formas de trabalho desempenhar um papel importante na formação da criança, sendo o meio mais importante para se inserir na sociedade e para motivar a sua personalidade...; a didáctica obedece aos seguintes critérios: há que dar um ensino científico e sistematizado, que seja inteligível para o aluno, o qual há que relacionar os novos conhecimentos com os anteriores...; a educação comunista exige que se faça participar directamente os alunos na luta política, propondo-lhes tarefas correspondentes e cuidando para que tenham experiências que os façam confrontar com as contradições da luta de classes e lhes suscitem decisões de tipo político e moral. Os alunos devem participar em acções das associações juvenis e de pioneiros, devem ter ocasião de realizar trabalhos socialmente úteis e de ampliar os seus interesses e inclinações para actividades extra-escolares...; os alunos estão organizados em agrupamentos chamados colectivos, no seio dos quais vivem, estudam e trabalham. Ficam, por isso, marcados pela sua pertença a um colectivo, o qual oferece um forte influxo educativo...; os pressupostos básicos de uma boa educação familiar são uma atmosfera familiar normal, a autoridade paterna, um correcto horário familiar e o hábito da leitura e do trabalho; a educação burguesa encerra factos e conceitos que caracterizam o imperialismo como inimigo da humanidade. Os alunos devem poder descobrir e desmascarar esse inimigo em todo o lado...; o professor censura as faltas cometidas pelo aluno em forma de notas negativas no trabalho de grupo...; a formação das crianças na disciplina - e a educação em geral - aumenta quando o colectivo de alunos se encarrega dessa função".

Embora a pedagogia marxista soviética tivesse sido o modelo seguido em Cuba, há algumas particularidades específicas do pequeno país das Caraíbas: o homem é um ser social que só se desenvolve integralmente dentro do colectivo; a educação deve contribuir para a criação de um homem novo, profundamente envolvido na revolução socialista; a educação moral e política deve exprimir os pontos de vista do materialismo dialéctico e histórico; o trabalho produtivo assume uma dimensão formativa importante na criação de uma mentalidade proletária; o papel da família na educação das crianças deve convergir num sistema único de educação socialista, composto pela escola, as organizações juvenis e o partido comunista; a finalidade da educação é fazer dos jovens internacionalistas, anti-imperialistas e patriotas; o trabalho intelectual deve estar intimamente ligado ao trabalho produtivo.

Notas
1) Quintana, J. M. (1995). Teoria de la Educación: Concepción Antinómica de la Educación. Madrid: Dykinson, p. 165
2) Idem, p. 166
3) Ibid., p. 169
4) Ibid., p

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Educação para a cidadania: a perspetiva liberal face ao projeto revolucionário

A proposta liberal centra a educação para a cidadania no conhecimento e apreço pelas virtudes intelectuais e éticas que integram o cânone da Civilização Ocidental. Esse conhecimento e apreço faz-se através da prática e dos hábitos. O contacto com bons exemplos de civilidade, a leitura dos clássicos e o contágio proporcionado por um ambiente que preza e cultiva as virtudes são outras importantes estratégias. Na proposta liberal conservadora, a educação para a cidadania visa criar boas pessoas e bons cidadãos. Para se ser boa pessoa é necessários ter um bom caráter e, para tal, urge conhecer e apreciar as virtudes da prudência, da temperança, da amizade, da justiça e da fortaleza.

A proposta neomarxista centra a educação para a cidadania no doutrinamento da criança e do jovem em função de uma agenda política transformadora e revolucionária que visa a rutura com o cânone da Civilização Ocidental, vista como opressora, e a imposição de novos valores que estão para além da ética e da estética. Ao invés de centrar a educação para a cidadania no conhecimento e prática das virtudes, a proposta neomarxista sacrifica as tradições, o cânone cultural e as virtudes éticas à imposição do conceito de igualdade absoluta, subvertendo a realidade, incluindo a realidade biológica, a uma visão de futuro que visa impor uma nova ordem e uma nova humanidade. 

O neomarxismo tem ganho força e adesão nos meios académicos, travestindo-se de teoria do género (1) e da ideologia queer (2). Quem se lhes opõe é etiquetado de reacionário e homofóbico e esses rótulos podem dar cabo de qualquer carreira académica. O objetivo é, aliás, esse: impedir que as outras perspetivas se façam ouvir na academia, apagando-as do espaço público encharcado de uma agenda política que, em nome da igualdade absoluta, pretende apagar toda a realidade que desminta a teoria do género. No fundo, a teoria do género mantém e atualiza uma ideia central ao projeto marxista-leninista da construção do Homem Novo, uma realidade construída sob os escombros da velha sociedade de classes, aniquilamento das tradições e das classes que com elas se identificam. Tal empreendimento exige um nível de destruição apocalítico, que não deixa pedra sobre pedra do velho edifício social, económico e cultural. Marx, no Manifesto Comunista, chamou a esse projeto revolucionário a fase da ditadura do proletariado. Pelo caminho, sucumbem as classes ditas opressoras e a cultura que elas personificam. Um empreendimento desta dimensão e ambição - a construção do Homem Novo - exige um grau de destruição de bens e de vidas que pôde ser visto em todas as revoluções comunistas que varreram o século XX.

Recentemente, vivi uma situação que mostra bem a diferença entre a proposta liberal e a proposta neomarxista. Sucedeu num júri de mestrado. Uma tese sobre educação para a cidadania na perspetiva aristotélica orientada por mim. A arguente era uma militante ligada aos movimentos de emancipação sexual. Volta e meia, a arguente perguntava: onde está a proposta transformadora na sua tese? Não vejo nela mecanismos de resistência ao pensamento hegemónico sobre as desigualdades. Não vejo como é que as estratégias que aponta ajudam a criar a rutura face ao cânone que mantém a opressão das minorias sexuais. O seu discurso usa uma linguagem sexista. E por aí fora, numa série de acusações ideológicas sem a menor preocupação em respeitar o enquadramento teórico escolhido pela mestranda, como se só houvesse um quadro teórico legítimo e esse quadro tivesse de incluir, obrigatoriamente, a teoria do género, o comunismo, o materialismo histórico e dialético e a defesa da agenda dos movimentos homossexuais, trans-sexuais e intersexuais.

No centro da chamada teoria do género está a ideia - errada - de que a nossa identidade sexual não tem origem biológica. Para os radicais da teoria do género, a identidade sexual é uma construção social e cultural: não se nasce rapaz ou rapariga, vai-se optando por ser uma coisa ou outra ou as duas coisas em simultâneo, um pouco ao sabor do vento, do império dos desejos ou do capricho das paixões. Querer apagar a realidade biológica constitui, para os radicais da teoria do género, a maior das ruturas e o mais empolgante dos desafios. A teoria do género busca no marxismo a negação da realidade, a construção de realidades virtuais, falsas mas poderosas, negação essa que legitima o projeto revolucionário dirigido por pequenas vanguardas que o vão impondo a todos, ocupando o espaço público de uma forma gradualmente hegemónica. Quem recusa o projeto revolucionário, travestido de teoria do género ou de qualquer outra máscara, é apelidado de reacionário, homofóbico, conservador ou neoliberal, afastado do espaço público, perseguido e injuriado. 

A heterossexualidade é vista como uma construção cultural, imposta pelas tradições "opressoras" e aqueles que as representam: igrejas, autores que integram o cânone ocidental e todos os que ousam afirmar publicamente que se nasce com uma determinada identidade sexual. Os radicais da teoria do género e da sua versão mais extremista, a teoria queer, vão ao ponto de afirmar que não foi dada liberdade de escolha aos heterossexuais porque, nas sociedades capitalistas, a hererossexualidade é uma imposição quando devia ser uma escolha, um produto de uma construção cultural, fluída, flexível e polimorfa. Em última instância, os radicais queer sonham em banir a heterossexualidade, pôr fim a todos os vestígios de maternidade, arrasando a articulação entre sexo e reprodução, substituindo-a pela poli-identidade sexual, a qual não é mais do que uma miríade, sempre crescente, de identidades sexuais que se juntam ou sucedem no indivíduo como expressão da anarquia e do caos polimorfo. A associação do sexo à reprodução e a maternidade estão na ponta da mira dos extremistas queer porque é aí que a ideologia do género e a ideologia queer são desmentidas, a toda a hora, em todos os lugares, sempre que uma mulher engravida e um bebé nasce com um sexo definido e uma identidade sexual que se vai revelando à medida que o bebé dá lugar à criança e esta ao jovem.

 As referências à chamada linguagem inclusiva, feitas amiúde pelos radicais, têm como objetivo fazer uma censura sobre a linguagem usada, pressionando as pessoas a, sobretudo as que estão numa situação de dependência ou fragilidade, a aderir, ainda que à força, a um tipo de linguagem que serve a agenda política dos movimentos neomarxistas, a qual não é mais nem menos do que o controlo do pensamento através da imposição de uma linguagem politicamente correta, legitimada por uma pretensa superioridade moral alicerçada na ideia de igualdade.

Como resistir eficazmente à crescente hegemonia da teoria do género e da ideologia queer nos meios académicos? Em primeiro lugar, é preciso recusar o policiamento da linguagem e mostrar que a linguagem erudita foi fixada, ao longo dos últimos séculos, por uma plêiade de grandes escritores e ser fiel a essa tradição é respeitar os gigantes sobre cujos ombros nós nos sentamos para podermos ver mais além. Em segundo lugar, não nos deixarmos colar aos preconceitos, afirmando, bem alto, o nosso respeito por todas as formas de sexualidade, sem nos afastarmos da ideia de que a heterossexualidade é uma norma que foi criada pela evolução biológica, sem negar, no entanto, a liberdade de expressão de outras orientações sexuais. Gender is first and foremost a genetic imperative. Society does not determine gender roles; nature does. A man who chops up his body and takes hormone pills to look like a woman is not and will never be a woman. A woman who tapes down her breasts and gets a short haircut will never be a man. There is no such thing as “transgendered” people. No amount of social justice or wishful thinking will ever allow them to reverse their genetic proclivities. Their psychological and sexual leanings do not change their inborn biological reality.

By extension, we should refuse to play along with this nonsense. I will never refer to a man in a wig and dress as a “woman.” I will never refer to a woman with identity issues as “transgendered.” They are what nature made them, and we should not police our pronouns just to falsely reassure them that they can deny nature. (Tyler Durden on 11/07/2015, published in zerohedge.com).

Notas
1) A teoria do género é um ideologia que defende que não se nasce rapaz ou rapariga e que, ao invés, a identidade sexual é uma construção social e cultural, recusando a normatividade associada à orientação heterossexual, vista como uma imposição que discrimina e cria desigualdade.

2) A ideologia queer é uma ideologia que recusa toda a normativização sexual, defendendo, ao invés, a livre expressão de tudo o que se afasta da norma em matéria sexual, impondo uma estética do bizarro associada aos desvios sexuais considerados pela ideologia queer como estimáveis e libertadores. A ideologia queer vai mais longe do que a teoria do género, recusando a ideia de orientação sexual, substituindo pela poli-identidade sexual, algo que está para além da ética, da estética e da orientação sexual.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Na 5 de Outubro, está em marcha o PLANO para a construção da educação comunista


Para se compreender o Plano, é preciso conhecer os contornos que o neomarxismo e as suas máscaras têm vindo a imprimir à Escola Pública. O Plano está em marcha, tem um líder - Mário Nogueira -, um executante - Tiago Brandão -, e um punhado de ajudantes acolitados nas inúmeras comissões e grupos de trabalho, cridos nos últimos 12 meses, tendo em vista apagar todos os vestígios de uma educação realista, substituindo-a pelo social construtivismo comunista.

O neomarxismo quer substituir o cânone cultural que venceu o crivo do tempo por um novo cânone centrado numa agenda política que visa a implantação do comunismo, usando um discurso camuflado de humanismo, igualdade e inclusão para atingir esse fim.

O pedagogo neomarxista Torres Santomé sintetiza bem esse novo cânone na afirmação: "Toda a pessoa educada tem que ser capaz de analisar, entre outras coisas, temas como 1) que perversões e injustiças geram os modos de produção capitalistas mais hegemónicos e as sociedades de economia neoliberal; 2) através de que meios se legitima uma determinada opção cultural dominante; 3) quais são os tipos dominantes de relação entre poder e conhecimento; 4) que capacidade têm as diferentes culturas para constituir modelos de boa sociedade baseadas no reconhecimento mútuo, sociedades nas quais reine uma verdadeira justiça distributiva e uma equitativa participação" (Fonte: Torres Santomé (2010) O Cavalo de Tróia da Cultura Escolar, Edições Pedago, pág.13).

Querem maior lavagem cerebral do que esta proposta de cânone? De uma penada, colocam-se fora das escolas, de preferência até fora das bibliotecas, todos os autores que não se encaixam nesta agenda.
Como o multiculturalismo radical tem vindo a colocar o currículo escolar ao serviço do processo revolucionário? Em primeiro lugar, convém distinguir dois tipos de multiculturalismo: o cosmopolita e o radical ou crítico. O primeiro apresenta uma visão da pluralidade das culturas presentes no ecossistema escolar baseada no respeito mútuo, na compreensão pelas diferenças e no diálogo. O segundo, caro aos neomarxistas, apresenta as culturas minoritárias como vítimas da opressão pelas culturas maioritárias e substitui o diálogo entre culturas pelo conceito de luta de classes aplicado agora às questões culturais e étnicas.

O multiculturalismo crítico é apenas uma versão do neomarxismo para consumo dos incautos que, em muitos casos, se colocam ao serviço de uma estratégia que os ultrapassa e de cujas implicações não têm consciência. A estratégia de autoflagelação, isto é de permanente crítica às raízes culturais e à herança cultural do Ocidente visa minar a autoridade e a legitimidade da Cultura Ocidental, inculcando nos professores e alunos sentimentos de culpa e de repúdio pelo facto de serem herdeiros dessa tradição e desse legado.

Se a primeira etapa é inculcar sentimentos de culpa, a segunda etapa é a interiorização do desprezo por ela. Aos olhos dos multiculturalistas críticos a Cultura Ocidental padece de todos os vícios, é agente de todas as crueldades e opressões; ao invés, as culturas minoritárias são a expressão da salvação humana, apresentadas que são de forma imaculada e pura. Veja-se o que o autor neomarxista, Jurjo Torres Santomé, diz acerca do multiculturalismo crítico na educação: "Estes [os alunos oriundos de culturas minoritárias] devem ser ensinados a defender os seus direitos através de uma educação política e cívica que os capacite para se organizarem e se defenderem daquelas agressões [da cultura maioritária] geradas pelos processos de normalização a que são submetidos. Têm o direito a resistir aos processos de assimilação, a protestar contra as políticas e as práticas que escondem a intenção de os assimilar e de restringir as suas tradições e hábitos culturais relacionados com os direitos humanos" (Fonte: Torres Santomé (2010). O Cavalo de Tróia da Cultura Escolar, Edições Pedago, pág. 74).

O multiculturalismo crítico e a ideologia do ódio ao homem branco e à Cultura Ocidental são apenas duas das muitas máscaras que escondem o marxismo e o projeto comunista na educação.

Aforismos: para compreender a natureza e objetivo do esquerdismo

"Os esquerdistas, em permanente busca do fracasso, pensam que é o Estado que cria riqueza e ignoram que o Estado apenas distribui a riqueza criada pelas aptidões, vocações e esforço dos indivíduos. Os esquerdistas veem o Estado como um Robim dos Bosques com autorização e legitimidade moral para roubar e fazem-no usando a força bruta dos aparelhos repressivos. Quando os esquerdistas se perpetuam no poder, e o roubo é institucionalizado, resta aos indivíduos o empobrecimento e aos cidadãos uma lembrança ténue do que foi viver em liberdade."

"Os esquerdistas apresentam-se no espaço público com a arrogância intelectual de quem se julga moralmente superior ignorando que transportam aos ombros os 60 milhões de mortos provocados pelos regime comunista da ex-URSS, os 40 milhões de mortos provocados pelo maoismo na República Popular da China e os 800 mil mortos provocados, no Cambodja, pelos Kmers Vermelhos, revelando um padrão genocida que resulta da sua ação sempre que chegam ao poder".

"O totalitarismo está no ADN do esquerdismo porque este tem como programa e projeto fazer de cada necessidade um direito. Quanto mais necessidades forem criadas, e tendo como princípio que a uma necessidade corresponde um direito, mais se alarga e aprofunda o perímetro do Estado. Esse alargamento resulta sempre na redução da liberdade individual e na criação de dívida pública a pagar pelas futuras gerações com o objetivo de financiar um Estado garante dos direitos artificialmente criados."

"Há dois países a caminhar em sentidos opostos. Há os portugueses que vivem bem instalados sob a proteção do Estado e há os outros. Os primeiros anseiam prolongar até ao limite do possível uma despesa pública que lhes garanta os direitos adquiridos, ainda que à custa do empobrecimento geral do país e sacrifício das novas gerações, obrigadas a pagar uma despesa que não contraíram e a carregar aos ombros um Estado que os esmaga. Os segundos sobrevivem como podem, tentando fintar o Estado e os seus aparelhos repressivos, votando com os pés e criando riqueza, aqui ou lá fora, mais fora do que aqui, onde o Estado ainda permite ou tolera."

"Um político socialista é um ladrão com licença para roubar".

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Identidade e controlo

A conferencista, professora numa universidade pública, apresentou-se ao público como socióloga, multiculturalista dos sete costados, capaz de voar de projeto em projeto, ora aqui, ora em África, um dia talvez no Brasil.

Depois de dissertar sobre os malefícios dos rankings, dos exames nacionais, dos currículos centrados nos conteúdos, começou a zurzir na Cultural Ocidental, culpando o Ocidente de todos os crimes imagináveis, responsabilizando-o pela fome no Mundo, o trabalho infantil, as guerras, o racismo e o sexismo.

O público, composto por estudantes de mestrado na área das ciências sociais, exultava, partilhando do mesmo entusiasmo e da paixão pelo ativismo político que irradiava da conferencista. O entusiasmo contagiava. A conferencista estava ali para salvar o Mundo.

Depois, a conferencista centrou-se na questão da identidade nacional. E disse:

"eu não tenho identidade e passo muito bem sem ela. Nasci em Portugal, andei por meio Mundo, fiz parte de muitos projetos em África, cruzei-me com muita gente, deixei-me contagiar e, chegada aqui, a minha identidade é a soma de todas as identidades com que me cruzei. A minha identidade é forjada na luta contra as opressões e no repúdio pela cultural patriarcal que alimenta o domínio do homem branco."

Houve quem batesse palmas.

E a conferencista continuou:

"a escola tem um papel importante na luta contra a identidade nacional, o conceito de país, de Estado e de nação. É preciso que as novas gerações se afastem desses conceitos, os repudiem, e possam abraçar as novas identidades, feitas das lutas pela igualdade de género, inclusão social, igualdade e democracia participativa".

Choveram mais palmas.

"Quando os refugiados nos batem à porta, não devemos perguntar quem são nem de onde vêm. A resposta deles só pode ser uma: vimos da Terra, da Terra somos e a ela pertencemos. A nossa resposta só pode ser esta: acolhê-los a todos sem quaisquer limitações porque eles fogem das guerras e da miséria que o Ocidente promove em todo o Mundo!"

E a conferencista, cada vez mais entusiasmada, atinge o clímax:

"A identidade nacional conduz à guerra, alimenta a xenofobia e é fonte de opressão dos povos. Estes ensinamentos têm de ser integrados nos currículos, do pré-escolar às universidades, fomentando a consciência crítica e formando as novas gerações para o combate sem tréguas contra a identidade nacional, os valores Ocidentais e uma cultura que foi e é alimentada pela opressão".

Mais palmas. Por fim, a conferencista fica rodeada de dezenas de alunas, que a cumprimentam e elogiam, cada vez mais entusiasmadas.

Vim para casa e no caminho pus-me a pensar: a identidade nacional, as raízes culturais, a História estão sob ataque cerrado nas escolas e universidades.

A resposta a esse ataque reside na defesa de uma identidade nacional que se abra ao universalismo e à diversidade e se exerça com tolerância.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A influência do ethos na melhoria dos resultados no TIMSS e no PISA 2015

Muito se tem escrito e falado sobre as causas da melhoria significativa dos resultados dos alunos portugueses no TIMSS 2015 e no PISA 2015. Os números não deixam margem para os negacionistas argumentarem, com factos e dados, pela ausência de influência das políticas executadas no quadro da vigência do anterior Governo (2011 a 2015). Ainda assim, alguns têm o descaramento de afirmar que as melhorias se devem apenas a políticas conduzidas entre 2000 e 2010. Outros vão ainda mais longe ao afirmarem que as políticas educativas de Nuno Crato (2011 a 2015) vão reverter os resultados em próximas avaliações internacionais. Incapazes de admitirem o óbvio, os esquerdopatas fazem o que sempre fizeram: mentir, negar a realidade, cavalgar uma realidade paralela.

Há uma variável que ainda não vi identificada por ninguém e que me parece ter tido uma enorme influência na melhoria dos resultados: o "ethos" das escolas.

O "ethos" define-se como sendo um conjunto de variáveis que compõem o clima, a missão, os valores e o ambiente de uma organização ou de um sistema. O "ethos" tem uma enorme influência no modo como as organizações operam e condiciona bastante os resultados.

Com Nuno Crato a comandar o Ministério da Educação o discurso, a linguagem e os valores mudaram. Essa mudança provocou a ira dos esquerdopatas acantonados nas escolas, universidades e nos media. Os esquerdopatas andaram décadas a desvalorizar o mérito, o esforço, o rigor, a competição e os resultados. A grande maioria dos professores que opera no sistema estatal foi endoutrinada nos valores da igualdade de resultados, pedagogia romântica, construtivismo social, educação lúdica e sem esforço. Os exames eram vistos como um fator de promoção da exclusão social e só a contragosto os professores e os diretores engoliram o regresso dos exames do nono ano sob a batura de um ministro da educação de centro-direita: David Justino.

Com Nuno Crato, chegou a defesa da cultura do mérito, da exigência, do esforço, das pedagogias que resultam, do reforço dos conteúdos e da criação de metas curriculares nacionais com objetivos e conteúdos claros e hirarquizados.

Professores, pais e alunos foram desafiados a prestar contas (exames nacionais no sexto ano e no quarto ano), as escolas foram pressionadas a melhorarem os resultados pelo efeito da divulgação dos rankings e do reforço da prestação de contas e de recompensas em créditos horários para as escolas que registaram maiores progressos.

O "ethos" mudara com Nuno Crato. Com a chegada do camarada Tiago à 5 de Outubro, o "ethos" da exigência e do rigor foi substituído pelo discurso politicamente correto da igualdade de resultados, da flexibilização dos currícula, do reforço do lúdico e das competências "soft" e do fim dos exames no quarto ano e no sexto ano. 

Não gostaram

O esquerdopata que edita O Muro das Lamentações  fez-me esta acusação:

E depois há os que dizem que tudo melhorou, mas pode piorar. Até o Ramiro Marques ressuscitou (lembram-se, aquele gajo muito lutador que apagou tudo o que tinha escrito anos a fio quando lhe deram umas migalhas na 5 de Outubro para implementar a porcaria do vocacional?). A vergonha escasseia.
Foi assim que eu respondi: 

Parece que este texto incomodou a turba social comunista:
Quanto à aceitação do tacho sobre ensino vocacional, de que me acusa o esquerdopata que edita o muro das lamentações, eu só pude aceitá-lo porque fui bem pago. É esse o raciocínio dos esquerdopatas. Para a canalha social comunista e o maoista retardado que edita O Meu Quintal não é possível trabalhar gratuitamente, que foi exatamente o que eu fiz com o Nuno Crato e também o que eu fiz com outros ministros da educação do passado.