quarta-feira, 29 de março de 2017

Um país capturado pelos sociais comunistas

Ontem ficámos a saber que, no setor da administração pública mais social comunista do país - a segurança social - , há um chefe por cada 4,5 funcionários e cada funcionário tem direito a gozar mais 12 dias de férias por ano, para além dos 30 dias a que todos têm direito. 

A Geringonça governa para esta gente, esconde os problemas debaixo do tapete, empurra com a barriga, martela as estatísticas e vai ganhando tempo até que a realidade se volte a impor e a quarta bancarrota  aconteça. Nos últimos 40 anos, tem sido esse o destino de Portugal.

O social comunismo capturou o país em favor de metade dele - funcionários públicos e reformados da CGA -, colocando a outra metade a trabalhar e a pagar para eles. Os outros países da UE fazem reformas, diminuem a carga fiscal, reduzem o peso do Estado na economia e o Portugal da Genringonça adia, cria mais despesa, aumenta o peso do Estado Social, empurra as novas gerações para fora do país e bloqueia a modernização da economia.

Na Educação, o processo de abandalhamento e despesismo corre veloz e com o consentimento e aplauso dos professores, o grupo profissional mais esquerdista do país. O número de baixas fraudulentas aumentou exponencialmente. O ME não divulga dados mas qualquer observador atento verifica que o número de professores com baixa prolongada aumentou muito nos últimos 18 meses.

O despesismo regressou em força às escolas básicas e secundárias. A ordem é para gastar dinheiro em "modernices" pedagógicas, com nomes pomposos do tipo "sala de aula do futuro", que afastam a escola do seu papel principal: a instrução.  O número de professores sem turma atribuída não pára de subir.

A geringonça responde ao aumento da despesa pública com a criação de mais impostos, gerando um clima hostil ao investimento e reforçando os bloqueios à liberdade económica e à modernização.

Os sociais comunistas não são apenas comunistas - e isso já seria de uma gravidade extrema, dado que a ideologia comunista andou sempre associada à pobreza, miséria, ditadura e genocídio -, são também doidos varridos. Em tudo o que tocam, criam bandalheira, estragam e destroem. Veja-se a este propósito a bandalheira que está a ser criada nas escolas.

O lastro de destruição económica e morte que o comunismo deixou ao longo da História deveria ser suficiente para lhe dar o mesmo tratamento que damos ao nazismo: proibi-lo.

Desgraçadamente, aceitamos ser governados por pessoas que, além de doidas varridas, são comunistas.

Isto vai acabar mal.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Censura nas Universidades e rebaldaria contratual e curricular nas escolas básicas e secundárias

Um ano e meio de Governo social comunista e os resultados estão à vista na Educação:

1. Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, um grupo de duas dezenas de militantes e simpatizantes da organização social fascista que dá pelo nome de Bloco de Esquerda impediu a realização de uma conferência sobre Populismo e Democracia. O conferencista impedido de dar a conferência é um professor universitário, politólogo, com vasta obra publicada. Qual a reação do diretor da Faculdade e do reitor da Universidade Nova? Ajoelhar. No futuro, a canalha social comunista terá o poder de decidir não só o que se ensina e se investiga, como também quem se contrata, quem se promove e quem se saneia. Os departamentos de ciências sociais e humanas das universidades portuguesas são controlados por extremistas ideológicos que não olham a meios para atingir os fins: a construção de uma sociedade totalmente controlada pelo Estado e pelas minorias ativistas, reduzindo a liberdade de expressão e a liberdade contratual e económica a zero.

2. As escolas básicas e secundárias estão repletas de professores que não dão aulas. O ME não divulga números e os partidos da oposição democrática andam distraídos e não perguntam nem investigam. Se perguntassem e investigassem depressa chegariam à conclusão de que o número de falsas baixas prolongada subiu exponencialmente e o número de contratações voltou a disparar, muitas delas para horários que não existem e para exercer funções que apenas atrapalham quem quer ensinar.

3. Os social comunistas prometeram fazer uma revolução curricular e estão a cumprir. Menos horas para o ensino da matemática e do português, mais horas para ensinar "soft skills", ideologia social comunista e doutrinamento revolucionário. Os resultados ver-se-ão nos próximos PISA. Caso a revolução curricular se concretize, a geração que agora está nas escolas básicas vai chegar à vida adulta menos preparada, mais ignorante e com a cabeça cheia de lixo ideológico. O objetivo dos revolucionários social comunistas é criar uma geração de ignorantes, facilmente manipuláveis, enquanto colocam os filhos e netos a salvo da ignorância, colocando-os nos melhores colégios privados onde não entra a revolução curricular que eles impuseram nas escolas estatais.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Trump, os esquerdopatas e eu

Pergunto a mim próprio: se residisses nos EUA e tivesses direito de voto, darias o teu voto a Trump ou à Hilary Clinton? Francamente, não sei. Mas sei que não daria o meu voto à Hilary por duas razões: Hilary é a face da corrupção e a sua eleição representaria o reforço dos interesses particulares, das agendas fraturantes e dos limites à liberdade de expressão em nome da defesa dos direitos das minorias ativistas.

A vitória de Trump foi uma estrondosa derrota dos inimigos da liberdade da expressão e dos interesses particulares alimentados pelo poder mediático dos ativistas que controlam os media, as universidades e as ruas. Tudo o que contribua para reduzir o poder dos ativistas que querem impor pela força as agendas fraturantes e o aumento do controlo do Estado sobre as pessoas é bom.

Lamento que tenha sido um defensor do protecionismo económico e do isolacionismo a derrotar os esquerdopatas. Mas o mais importante de tudo era derrotar os esquerdopatas, ainda que para isso tenha sido necessário usar as táticas leninistas de infiltração por dentro e de controlo da linguagem, do pensamento e das ruas. Steve Bannon, estratega chefe de Donald Trump, estudou profundamente o leninismo e sabe aplicar as táticas leninistas para derrotar os leninistas.

Os esquerdopatas estão em pânico e na defensiva e isso é uma coisa boa e necessária sob pena de acordarmos um dia completamente submetidos ao poder da hetero e da autocensura e na mais completa dependência e controlo do Estado.

Preferia que tivesse sido um defensor do livre comércio a ganhar as eleições embora esteja certo de que o pragmatismo de Trump o vai levar a moderar a agenda protecionista e anti-imigração. Já está a moderar, aliás. A nova política de imigração de Donal Trump, se excetuarmos a retórica, é muito semelhante à que está em vigor no Canadá e na Austrália: quotas de imigração com base no mérito que resultam num sistema de pontuação onde o saber falar e escrever bem inglês e a posse de diplomas universitários em áreas relevantes para a economia e a inovação tecnológica são determinantes.

Na política educativa já se sentem os efeitos positivos: a agenda da livre escolha das escolas pelas famílias renasceu e os ataques à liberdade de expressão nas universidades, sobretudo nas que são controladas pelo Estado, começaram a ter resposta: Trump afirmou que vai cortar os fundos federais às universidades que não garantirem a liberdade de expressão. Ora isso é uma coisa boa. Tudo o que seja quebrar o controlo que os esquerdopatas exercem sobre as escolas e as universidades é de saudar.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Aristóteles e a educação

Cabe ao Estado e ao legislador cuidarem para que se formem cidadãos honestos, justos, prudentes e temperados, “procurando saber por quais exercícios tornará honestos os cidadãos e sobretudo conhecer bem qual é o ponto capital da vida feliz” (1). 

O legislador deve tomar em consideração que a vida se divide entre o trabalho e o repouso, a guerra e a paz e as nossas acções se dividem em acções necessárias, acções úteis ou acções honestas. As acções honestas são superiores às úteis e estas às necessárias e é no respeito por essa hierarquia que a educação deve ser regulada e concretizada. 

Educar para a guerra pode ser uma necessidade, mas não deve ser encarada pelos legisladores como a tarefa fundamental da Educação; ao invés, a educação pública deve centrar-se na universalidade das virtudes e essas são, como sabemos, a justiça, a coragem, a temperança e a prudência. O legislador deve subordinar a guerra e todas as outras leis ao repouso e à paz, pois isso é o que prova a experiência, juntamente com a razão. 

Mais importante do que ensinar as artes da guerra é ensinar como viver bem em paz, num processo a que Aristóteles chama de ensino das virtudes pacíficas (2). Aristóteles, ao longo de toda a sua obra, enfatiza a importância do ócio, do repouso, sem os quais seria impossível a vida contemplativa e o exercício das virtudes intelectuais. 

Está, portanto, muito longe, das concepções hodiernas, tão caras ao pensamento dominante das sociedades actuais materialmente desenvolvidas, que reclamam uma visão meramente utilitária da Educação, sujeitando-a aos interesses do mercado, da economia e da produtividade. 

A Educação não deve, na perspectiva do filósofo, ser um instrumento ao serviço da economia, mas sim um processo que visa potenciar o florescimento de cada um em ordem à concretização da eudaimonia, ou seja, da vida boa e da excelência. 

Neste particular, Aristóteles foi um precursor e a leitura da sua obra ética e política continua a iluminar o nosso pensamento e pode ajudar-nos a dar um rumo correto à Educação, colocando-a no sítio certo e conduzindo-a em função das finalidades certas e não das modas do momento ou dos interesses meramente materialistas, instrumentais, propagandistas ou ideológicos das elites dominantes. 

Para Aristóteles, a Educação não deve apenas ensinar o que é útil, as coisas práticas, mas também os costumes, a arte de viver bem, e acima de tudo as virtudes e o uso da razão. A importância de todos estes objectivos é de tal monta que nenhum deles deve ficar fora do âmbito da Educação. 

O debate actual entre os que defendem uma educação centrada na cognição e no raciocínio, vulgarmente designada de construtivista ou cognitivo-desenvolvimentista (o aluno é que constrói o conhecimento) e os que optam por uma educação centrada na prática, na resolução de problemas concretos e reais (a ideia de uma educação ligada à vida) foi antecipada por Aristóteles, o qual soube, melhor do que ninguém, encontrar solução para essa antinomia: três coisas devem contribuir para o florescimento humano, a natureza, o hábito e a razão. 

Devemos começar pelo hábito ou pela razão? Qual deve ter mais importância? O filósofo responde que devemos dar a mesma importância ao hábito e à razão e que os dois devem vir para a par. Cabe, por isso, à Educação não só fortalecer a razão, mas também proporcionar a oportunidade para a aquisição de bons hábitos e a correcção dos maus hábitos. Não é fácil o processo de aquisição de bons hábitos, mas é ainda mais difícil corrigir os maus hábitos; por isso, o melhor que os educadores devem fazer é certificarem-se de que as crianças não têm oportunidades para a criação dos maus hábitos. Daí que o cuidado com o ambiente onde as crianças vivem e são educadas, bem como com as companhias, constitui um assunto de extrema importância a que se deve dedicar toda a atenção. 

Aristóteles considerava que o poder da imitação, da observação e do exemplo eram extremamente fortes no processo educativo das crianças, pelo que aconselhava aos pais o maior cuidado na gestão dos ambientes e das companhias. Podemos inferir, a partir daqui, que Aristóteles, se vivesse hoje, consideraria extremamente nociva a influência da televisão. 

Aristóteles dedica um espaço importante de A Política ao tema da educação, preocupando-se com a discussão de vários assuntos: fim pacífico da Educação, a regulamentação dos casamentos e dos nascimentos, a educação da infância, o carácter e o objecto da educação, o papel da música e os limites da ginástica. 

Aristóteles não é, de forma alguma, um liberal, pelo menos se nós dermos ao termo o significado que Adam Smith lhe deu, no século XVIII; ao invés, acentua a importância do papel do Estado na Educação, considerando que o processo educativo é assunto demasiado complexo e importante para ser deixado apenas ao cuidado das famílias. 

Tendo estudado quase todas as Constituições do seu tempo e pesquisado, em profundidade, os costumes e a história de outros povos do Mundo Antigo, Aristóteles sabia o suficiente para afirmar que a felicidade do Estado e dos cidadãos depende, em grande parte, do tipo de Educação proporcionada aos cidadãos. Sabia, também, da enorme diversidade de modelos educativos existente no seu tempo, fazendo abundantes referência à Educação em Esparta que, em vez de promover a felicidade e as virtudes da justiça, temperança e prudência, enfatizava a preparação e o manejo das artes da guerra, invertendo, dessa forma, a correcta ordem de prioridades. 

Para Aristóteles, a finalidade maior subordina os objectivos menores, o menos bom está sempre subordinado ao melhor por sua destinação, assim como o bem menor deve estar dependente do bem maior; daí que a guerra, embora necessária em certas ocasiões, deve tender para a paz, a qual é um estado superior, tal como o trabalho deve estar subordinado ao repouso.

Aristóteles deixa-nos conselhos práticos sobre a educação de infância, chamando a atenção para as diferentes fases e adequação do processo educativo e do currículo a essas fases. Até aos cinco anos, a criança não deve ser submetida a qualquer processo de aprendizagem formal, pois a sua exposição à educação formal pode prejudicar o seu crescimento. 

Aristóteles critica, desta forma, a opção pela antecipação da idade de entrada na escola, bem como os processos de aprendizagem precoce. A partir daqui, podemos fazer uma crítica ao modo como as sociedades actuais estão a organizar a chamada educação pré-escolar, escolarizando a educação de infância e criando currículos de tipo cognitivista para as crianças com menos de cinco anos. 

Até aos cinco anos, as crianças só devem brincar, ouvir fábulas e movimentarem-se em liberdade, fazendo exercícios corporais de forma não estruturada. Só depois dos sete anos é que a criança deve ir à escola, submetendo-se, então, a aprendizagens formais. 

O currículo proposto por Aristóteles inclui Música, Ginástica, Geometria e Literatura e decorre até à puberdade. Segue-se um outro período que vai até aos vinte e um anos, em que o jovem aprende filosofia, ética, artes da governação, retórica e as mais variadas ciências. Aristóteles não foi um adepto da privatização da Educação. Como vimos atrás, considerava a Educação um assunto demasiado sério para ser entregue às famílias e aos privados. 

A ideia de fazer negócio com a Educação seria vista por Aristóteles como uma opção errada. Para o filósofo, a educação tinha um carácter público, devendo ser assunto do Estado, embora aceitasse que o Estado desse abertura para a criação de academias de carácter privado para educar os jovens dos 14 aos 21 anos. Quer a Academia de Platão, quer o Liceu de Aristóteles, incluíam-se neste caso. Oiçamos Aristóteles: “como não há senão um fim comum a todo o Estado, só deve haver uma mesma educação para todos os súbditos. Ela deve ser feita não em particular, como hoje, quando cada um cuida dos seus filhos, que educa segundo a sua fantasia e conforme lhe agrada; ela deve ser feita em público” (3).

Notas

1) Aristóteles (2002), A Política, S. Paulo, Martins Fontes, 65

 2) Idem, 68

3) Ibidem, 78

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A educação para a cidadania que os esquerdopatas não querem na escola

Ao contrário do que o atual Governo social comunista diz, não é preciso criar uma disciplina para ensinar cidadania. A educação para a cidadania deve impregnar todo o currículo, em particular a História, e deve fazer-se no respeito pela verdade dos factos e rigor histórico.

Os esquerdopatas não querem que os alunos conheçam a verdade dos factos. Eles escondem e falsificam a realidade com o objetivo de doutrinarem as novas gerações a aceitarem e valorizarem uma ideologia, um regime político e um sistema económico que trouxeram sempre e apenas miséria, pobreza, opressão e morte: o socialismo. 

Os esquerdopatas não querem que os alunos saibam isto: o maior genocida do século XX não foi Hitler, foi Mao Tze Dong. O sociopata chinês foi responsável pela morte de mais de 70 milhões de chineses. A seguir, surge Estaline, responsável pela morte de mais de 40 milhões de pessoas. Hitler vem em terceiro lugar: foi responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas. Em comum, Hitler, Estaline e Mao lideraram processos revolucionários de transformação radical das sociedades e economias. De comum, o apego ao socialismo. Na verdade, todos eles quiseram implementar projetos socialistas de caráter revolucionário. É isso que os esquerdopatas querem esconder das novas gerações. Mas é isso que os democratas devem lembrar todos os dias.

Ética cristã e guerra justa: a perspetiva que os esquerdopatas afastaram da escola

A guerra foi, sem dúvida, o problema ético mais importante do século XX. No século passado, morreram mais pessoas por efeito direto das guerras do que nos vinte séculos anteriores. O século XXI continua a enfrentar o mesmo problema ético com guerras sangrentas no Afeganistão, no Iraque, no Líbano e na Síria. A par das mudanças climáticas, da poluição e da pobreza, a guerra é um problema ético que gera controvérsia e disparidade de argumentos.

Os esquerdopatas impregnam o currículo de pacifismo acrítico em todas as situações, sobretudo quando o país atacado pertence ao universo do capitalismo liberal ou integra o chamado Mundo Ocidental.  Abrem, contudo, exceções: a guerra que os islâmicos radicais fazem ao Ocidente é uma guerra justa porque é, na perspetiva dos esquerdopatas, uma resposta à agressão imperalista, identificada pelos esquerdeopatas como a aliança dos EUA, alguns países da União Europeia e Israel.

Robin Gill (1) agrupa as respostas ao problema ético da guerra em quatro tipos: militarismo em todas as situações, militarismo seletivo, pacifismo seletivo e pacifismo em todas as situações.

No primeiro caso, defende‐se o recurso à guerra em qualquer lado, a qualquer hora e por qualquer causa.

No segundo, defende‐se o recurso à guerra defensiva quando um país é atacado por outro.

No terceiro, recorre‐se à guerra apenas quando se está convencido de que é uma guerra justa.

Por último, recusa‐se o recurso à guerra seja qual for a situação.

A ética cristã repudia a primeira resposta. As respostas b e c são aceitáveis apenas quando estamos perante guerras justas.

Para uma guerra ser considerada justa é preciso que respeite os seguintes critérios: 1) ser declarada por uma autoridade legítima; 2) ser defensiva, ou seja, constituir uma resposta a uma ameaça exterior; 3) usar meios proporcionais, ou seja, constituir uma resposta à ameaça exterior usando meios proporcionais aos meios usados pelo atacante; 4) haver evidência de que a guerra pode evitar males maiores.

Quando um destes critérios falha, a guerra não pode ser considerada justa.

É possível registar duas fases distintas na posição da Igreja Cristã face à guerra: a posição antes de Constantino e a posição depois de Constantino. Antes da conversão do Imperador Constantino ao Cristianismo, predominava a defesa do pacifismo em todas as situações. A defesa do pacifismo em todas as situações está, hoje em dia, limitada a pequenas congregações religiosas: Anabaptistas, Quakers, Amish e Testemunhas de Jeová.

No período pré‐Constantino, é possível destacar a posição inteiramente anti‐guerra de Tertuliano (160‐220). Orígenes (185‐254), embora contrário à guerra, admitia a participação dos cristãos em guerras conduzidas a favor de uma boa causa.

Foi preciso esperar por Agostinho de Hipona para que a ética cristã incorporasse o conceito de guerra justa. O bispo Ambrósio e o bispo Agostinho faziam a distinção entre uma guerra justa e uma guerra injusta, considerando que os cristãos não podiam isentar‐se de participar em guerras justas. Agostinho interpretava a condenação do uso da espada (Mateus.26.52‐3) como uma condenação do uso da espada sem a autorização de uma autoridade legítima (2).

A respeito da guerra é possível encontrar argumentos diferentes no Antigo e no Novo Testamento. A Bíblia Hebraica é mais favorável à guerra e está repleta de episódios que descrevem a guerra como uma solução sem que vislumbre nesses textos uma condenação clara do seu uso ou uma distinção entre guerras justas e injustas. A Novo Testamento é declaradamente anti‐guerra, embora Jesus e os Apóstolos nunca tenham feito a condenação do serviço militar.

A mudança da posição da Igreja Cristã face à guerra tem de ser compreendida à luz da conversão de Constantino. A partir de Constantino, o Cristianismo passa a ser a religião oficial do Império e a Igreja Cristã sai das margens da sociedade para assumir uma posição cada vez mais associada ao Estado, acabando por se fundir com ele, no século XIII, com o surgimento do conceito de Estado Cristão de natureza claramente teocrática. Foi nesse século que Tomás de Aquino viria a lançar as bases racionais de uma teoria da guerra justa que é, até hoje, a posição oficial da Igreja Católica, sucessivamente consagrada por várias Encíclicas.

No século XX, assistimos a uma mudança na natureza da guerra, tornando‐se ainda mais difícil aplicar os critérios da guerra justa. A utilização de armas nucleares e químicas, o terrorismo à escala global e os atentados suicidas contra pessoas inocentes são realidades novas que baralham e confundem os dados, tornando extremamente difícil colocar em prática a teoria da guerra justa. Ultimamente, são cada vez mais os eticistas cristãos que fazem a distinção entre causas justas para entrar numa guerra (ius ad bellum) e práticas justas de guerra (ius in bello). A fim de aprofundar esta temática, é essencial a leitura de alguns textos de Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino: do primeiro teólogo cristão, sugiro Resposta a Fausto, o Maniqueu XXII, 69‐76; do segundo, aconselho a Suma de Teologia, 2ª 2ae, 40.1‐2.

Notas

1) Gill, R. (2006) (Ed.). A Textbook of Christian Ethics. Londres: T and T Clark 2) Idem, p.196

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ética cristã e ecologia: a perspetiva que os esquerdopatas querem fora da escola

Entenda o leitor este texto como um guia breve para estudantes de ética interessados no problema da ecologia e conservação da natureza. Começo por recomendar a leitura de dois livros, ambos editados por Robin Gill: The Cambridge Companion to Christian Ethics (Cambridge University Press, 2007) e A Textbook of Christian Ethics (T Clark, 2006).

Do The Cambridge Companion to Christian Ethics, recomendo a leitura atenta do capítulo 17: Ecology and Christian Ethics, escrito por Michael Northcott.

Do A Textbook of Christian Ethics, recomendo a leitura da secção 4, com textos de Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino e Lutero e várias análises sobre questões ecológicas contemporâneas vistas à luz da perspetiva cristã.

A leitura dos textos de Agostinho, Aquino e Lutero mostra-nos que a relação equilibrada entre os humanos e a natureza foi uma preocupação constante na tradição cristã e não é, de forma alguma, uma invenção do Iluminismo, como peretende a esquerda. O ponto de partida da análise do problema tem de reconhecer a situação em que os humanos do século XXI colocaram a Terra, esse espaço que Deus criou e entregou aos humanos e que os humanos têm maltratado. Assistimos a rápidas extinções de espécies: 10.000 espécies extintas por ano, segundo cálculos de cientistas. Desflorestação maciça por efeito da urbanização rápida e da intensificação da agro-indústria. Mudanças climáticas de contornos ainda desconhecidos. Poluição industrial com ênfase particular na China e na Índia onde o crescimento económico galopante não está a ser acompanhado de medidas de protecção ambiental. Erosão do solo e desertificação em largas áreas de África, América do Sul e China. 

Na tradição cristã, não existe oposição entre o bem comum e o carácter físico do Universo. O bem comum e o Universo estão directamente ligados ao Criador e, por isso, são necessariamente bons.

Na tradição bíblica, a vinda, a crucificação e a ressurreição de Cristo tiveram um propósito bem definido: anunciar a salvação. Deus enviou o seu Filho para nos salvar. A necessidade de salvação resulta do pecado. A forma como os humanos maltratam a Terra e os restantes seres vivos é consequência do pecado. Esse propósito de salvação é válido não só para os humanos, mas também para todos os outros seres. Deus enviou o seu Filho, porque os homens não souberem cuidar de si próprios nem daquilo que Deus lhes ofereceu. O Antigo Testamento está repleto de alusões a esse facto.

As referências a pragas, secas e outros cataclismos naturais são constantes e os textos acentuam o desagrado de Deus face àquilo que os homens têm feito. Os humanos deixaram de se portar como usuários da Terra. Em vez disso, portaram-se como donos descuidados. O resultado está à vista e manifesta-se através dos enormes problemas ecológicos que afectam a Terra e a vida dos humanos e dos outros seres vivos. 

Não há limites para a avidez humana. São comuns as passagens da Bíblia onde se faz referência à associação entre a injustiça na distribuição das riquezas e a degradação ecológica (1). “Ai daqueles que juntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até não haver mais terreno e serem os únicos a habitar no meio do país. Javé dos exércitos jurou ao meu ouvido: as suas muitas casas serão arrasadas, os seus palácios luxuosos ficarão desabitados” (Isaías. 5:8-9).

Essa relação permite considerar que a tradição cristã deu forma e significado ao conceito de ecojustiça. Até ao Iluminismo, a tradição cultural preponderante no Ocidente sustentava a crença de que era Deus e não os humanos o locus principal de consciência e de propósito moral no cosmos, sendo a criação, em primeiro lugar e sobretudo, uma possessão de Deus e não da Humanidade (2). 

Encarada desta forma, a relação dos humanos com a Terra muda de figura. Deus emprestou a Terra aos humanos e espera que eles façam bom uso dela, respeitando todos os outros seres criados, igualmente criados por Deus.

A ideia antropocêntrica, tão cara ao ideal iluminista, é estranha e contrária à tradição cristã. Se regressarmos à visão teocêntrica, não mais se justifica o abuso dos recursos naturais pelos humanos, seja com o fim de colocar esses bens ao serviço do progresso científico, tecnológico e social, seja com o objectivo de usufruto desmedido e insensato pelos que se apoderaram dessas riquezas. 

Há, portanto, limites para o uso dos bens naturais e esses limites radicam no respeito por todos os seres criados por Deus. Sendo Deus o criador de tudo o que existe, aos humanos apenas é dado o usufruto. A fruição dos bens criados por Deus deve fazer-se no respeito pelas leis divinas e pela lei natural, aquela plasmada nos textos bíblicos, esta desenvolvida e explicada pelos Doutores da Igreja, em particular Tomás de Aquino, a partir de uma simbiose criativa entre a filosofia de Aristóteles e a tradição cristã. Há várias parábolas de Jesus e vários textos de S. Paulo que afirmam que as riquezas terrenas não são posse dos humanos mas sim de Deus.

Na Primeira Carta aos Coríntios (3), S. Paulo afirma que não somos donos dos nossos corpos nem dos mistérios da fé, pois tudo isso pertence a Deus. O que Jesus trouxe de radicalmente novo foi a ideia da descoberta da categoria do amor, amor a Deus, amor aos nossos vizinhos e a todas as criaturas da Terra. Olhar para a relação dos humanos com a natureza em termos de amor por todas as criaturas tem grandes implicações. A forma como a agro-indústria cria e transporta os animais que se destinam a alimentar grande parte da população viola grosseiramente os ensinamentos éticos de Jesus. O abate indiscriminado e maciço de árvores nas florestas tropicais fere igualmente esses ensinamentos.

O próprio modo de vida preponderante nas sociedades tecnologicamente avançadas, assente no aumento continuado do poder aquisitivo, no consumismo desenfreado e na crença cega nos benefícios do progresso, da ciência e da tecnologia, contraria igualmente a tradição cristã. 

A tradição cristã oferece uma resposta aos problemas ecológicos. Uma resposta que não assenta apenas na crença na ciência e na tecnologia, mas sobretudo no regresso aos ensinamentos éticos de Jesus: ama o teu próximo como a ti mesmo. Ama a Deus, aos vizinhos e a todos os seres criados por Deus. Com estes ensinamentos, a avidez, a ostentação e o vício são encarados como pecados a evitar. Sem esses pecados, os humanos ficam preparados para levarem uma vida centrada naquilo que é realmente importante e não na aparência do que é importante. Só essa mudança de atitude e de vida pode quebrar o ciclo de abusos sobre a Natureza.

Notas

1) Nomeadamente em Isaías. 24:1-6 e Isaías.5:8-10
2) Northcott, M. (2007). Christian Ethics and Ecology. In Gill, R. (Org.). The Cambridge Companion to Christian Ethics. Cambridge: Cambridge University Press
3) Carta aos Coríntios (1 Cor.6:19).
Outra Bibliografia

Northcott, M. (1996). The Environment and Christian Ethics. Cambridge: Cambridge University Press