terça-feira, 18 de abril de 2017

Sindicatos ou mafias?

Os sindicatos dos professores parecem-se  cada vez mais com as organizações criminosas que se alimentam da extorção. Exemplo disso é a complexidade crescente dos concursos de recrutamento de professores, um instrumento kafkiano criado pelos sindicatos, com o objetivo de sacarem dinheiro aos candidatos a professores e aos professores que todos os anos mudam de escola. 

Os sindicatos têm um serviço para preenchimento das candidaturas a que recorrem quase todos os professores. Sem recorrerem a esse serviço é quase impossível fazer a candidatura. Uma tal complexidade concursal é caso único na Europa. Todos ganham menos o contribuinte que paga todos estes desmandos. Ganham os burocratas sindicais que, graças à elevada taxa de sindicalização docente, levam uma vida regalada; ganham os professores que não querem trabalhar porque os sindicatos lhes dizem como fazer para ficarem colocados, perto de casa, sem horário letivo. 

Só perde o país que alimenta esta cáfila de abutres e vigaristas.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Um país capturado pelos sociais comunistas

Ontem ficámos a saber que, no setor da administração pública mais social comunista do país - a segurança social - , há um chefe por cada 4,5 funcionários e cada funcionário tem direito a gozar mais 12 dias de férias por ano, para além dos 30 dias a que todos têm direito. 

A Geringonça governa para esta gente, esconde os problemas debaixo do tapete, empurra com a barriga, martela as estatísticas e vai ganhando tempo até que a realidade se volte a impor e a quarta bancarrota  aconteça. Nos últimos 40 anos, tem sido esse o destino de Portugal.

O social comunismo capturou o país em favor de metade dele - funcionários públicos e reformados da CGA -, colocando a outra metade a trabalhar e a pagar para eles. Os outros países da UE fazem reformas, diminuem a carga fiscal, reduzem o peso do Estado na economia e o Portugal da Genringonça adia, cria mais despesa, aumenta o peso do Estado Social, empurra as novas gerações para fora do país e bloqueia a modernização da economia.

Na Educação, o processo de abandalhamento e despesismo corre veloz e com o consentimento e aplauso dos professores, o grupo profissional mais esquerdista do país. O número de baixas fraudulentas aumentou exponencialmente. O ME não divulga dados mas qualquer observador atento verifica que o número de professores com baixa prolongada aumentou muito nos últimos 18 meses.

O despesismo regressou em força às escolas básicas e secundárias. A ordem é para gastar dinheiro em "modernices" pedagógicas, com nomes pomposos do tipo "sala de aula do futuro", que afastam a escola do seu papel principal: a instrução.  O número de professores sem turma atribuída não pára de subir.

A geringonça responde ao aumento da despesa pública com a criação de mais impostos, gerando um clima hostil ao investimento e reforçando os bloqueios à liberdade económica e à modernização.

Os sociais comunistas não são apenas comunistas - e isso já seria de uma gravidade extrema, dado que a ideologia comunista andou sempre associada à pobreza, miséria, ditadura e genocídio -, são também doidos varridos. Em tudo o que tocam, criam bandalheira, estragam e destroem. Veja-se a este propósito a bandalheira que está a ser criada nas escolas.

O lastro de destruição económica e morte que o comunismo deixou ao longo da História deveria ser suficiente para lhe dar o mesmo tratamento que damos ao nazismo: proibi-lo.

Desgraçadamente, aceitamos ser governados por pessoas que, além de doidas varridas, são comunistas.

Isto vai acabar mal.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Censura nas Universidades e rebaldaria contratual e curricular nas escolas básicas e secundárias

Um ano e meio de Governo social comunista e os resultados estão à vista na Educação:

1. Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, um grupo de duas dezenas de militantes e simpatizantes da organização social fascista que dá pelo nome de Bloco de Esquerda impediu a realização de uma conferência sobre Populismo e Democracia. O conferencista impedido de dar a conferência é um professor universitário, politólogo, com vasta obra publicada. Qual a reação do diretor da Faculdade e do reitor da Universidade Nova? Ajoelhar. No futuro, a canalha social comunista terá o poder de decidir não só o que se ensina e se investiga, como também quem se contrata, quem se promove e quem se saneia. Os departamentos de ciências sociais e humanas das universidades portuguesas são controlados por extremistas ideológicos que não olham a meios para atingir os fins: a construção de uma sociedade totalmente controlada pelo Estado e pelas minorias ativistas, reduzindo a liberdade de expressão e a liberdade contratual e económica a zero.

2. As escolas básicas e secundárias estão repletas de professores que não dão aulas. O ME não divulga números e os partidos da oposição democrática andam distraídos e não perguntam nem investigam. Se perguntassem e investigassem depressa chegariam à conclusão de que o número de falsas baixas prolongada subiu exponencialmente e o número de contratações voltou a disparar, muitas delas para horários que não existem e para exercer funções que apenas atrapalham quem quer ensinar.

3. Os social comunistas prometeram fazer uma revolução curricular e estão a cumprir. Menos horas para o ensino da matemática e do português, mais horas para ensinar "soft skills", ideologia social comunista e doutrinamento revolucionário. Os resultados ver-se-ão nos próximos PISA. Caso a revolução curricular se concretize, a geração que agora está nas escolas básicas vai chegar à vida adulta menos preparada, mais ignorante e com a cabeça cheia de lixo ideológico. O objetivo dos revolucionários social comunistas é criar uma geração de ignorantes, facilmente manipuláveis, enquanto colocam os filhos e netos a salvo da ignorância, colocando-os nos melhores colégios privados onde não entra a revolução curricular que eles impuseram nas escolas estatais.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Trump, os esquerdopatas e eu

Pergunto a mim próprio: se residisses nos EUA e tivesses direito de voto, darias o teu voto a Trump ou à Hilary Clinton? Francamente, não sei. Mas sei que não daria o meu voto à Hilary por duas razões: Hilary é a face da corrupção e a sua eleição representaria o reforço dos interesses particulares, das agendas fraturantes e dos limites à liberdade de expressão em nome da defesa dos direitos das minorias ativistas.

A vitória de Trump foi uma estrondosa derrota dos inimigos da liberdade da expressão e dos interesses particulares alimentados pelo poder mediático dos ativistas que controlam os media, as universidades e as ruas. Tudo o que contribua para reduzir o poder dos ativistas que querem impor pela força as agendas fraturantes e o aumento do controlo do Estado sobre as pessoas é bom.

Lamento que tenha sido um defensor do protecionismo económico e do isolacionismo a derrotar os esquerdopatas. Mas o mais importante de tudo era derrotar os esquerdopatas, ainda que para isso tenha sido necessário usar as táticas leninistas de infiltração por dentro e de controlo da linguagem, do pensamento e das ruas. Steve Bannon, estratega chefe de Donald Trump, estudou profundamente o leninismo e sabe aplicar as táticas leninistas para derrotar os leninistas.

Os esquerdopatas estão em pânico e na defensiva e isso é uma coisa boa e necessária sob pena de acordarmos um dia completamente submetidos ao poder da hetero e da autocensura e na mais completa dependência e controlo do Estado.

Preferia que tivesse sido um defensor do livre comércio a ganhar as eleições embora esteja certo de que o pragmatismo de Trump o vai levar a moderar a agenda protecionista e anti-imigração. Já está a moderar, aliás. A nova política de imigração de Donal Trump, se excetuarmos a retórica, é muito semelhante à que está em vigor no Canadá e na Austrália: quotas de imigração com base no mérito que resultam num sistema de pontuação onde o saber falar e escrever bem inglês e a posse de diplomas universitários em áreas relevantes para a economia e a inovação tecnológica são determinantes.

Na política educativa já se sentem os efeitos positivos: a agenda da livre escolha das escolas pelas famílias renasceu e os ataques à liberdade de expressão nas universidades, sobretudo nas que são controladas pelo Estado, começaram a ter resposta: Trump afirmou que vai cortar os fundos federais às universidades que não garantirem a liberdade de expressão. Ora isso é uma coisa boa. Tudo o que seja quebrar o controlo que os esquerdopatas exercem sobre as escolas e as universidades é de saudar.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Aristóteles e a educação

Cabe ao Estado e ao legislador cuidarem para que se formem cidadãos honestos, justos, prudentes e temperados, “procurando saber por quais exercícios tornará honestos os cidadãos e sobretudo conhecer bem qual é o ponto capital da vida feliz” (1). 

O legislador deve tomar em consideração que a vida se divide entre o trabalho e o repouso, a guerra e a paz e as nossas acções se dividem em acções necessárias, acções úteis ou acções honestas. As acções honestas são superiores às úteis e estas às necessárias e é no respeito por essa hierarquia que a educação deve ser regulada e concretizada. 

Educar para a guerra pode ser uma necessidade, mas não deve ser encarada pelos legisladores como a tarefa fundamental da Educação; ao invés, a educação pública deve centrar-se na universalidade das virtudes e essas são, como sabemos, a justiça, a coragem, a temperança e a prudência. O legislador deve subordinar a guerra e todas as outras leis ao repouso e à paz, pois isso é o que prova a experiência, juntamente com a razão. 

Mais importante do que ensinar as artes da guerra é ensinar como viver bem em paz, num processo a que Aristóteles chama de ensino das virtudes pacíficas (2). Aristóteles, ao longo de toda a sua obra, enfatiza a importância do ócio, do repouso, sem os quais seria impossível a vida contemplativa e o exercício das virtudes intelectuais. 

Está, portanto, muito longe, das concepções hodiernas, tão caras ao pensamento dominante das sociedades actuais materialmente desenvolvidas, que reclamam uma visão meramente utilitária da Educação, sujeitando-a aos interesses do mercado, da economia e da produtividade. 

A Educação não deve, na perspectiva do filósofo, ser um instrumento ao serviço da economia, mas sim um processo que visa potenciar o florescimento de cada um em ordem à concretização da eudaimonia, ou seja, da vida boa e da excelência. 

Neste particular, Aristóteles foi um precursor e a leitura da sua obra ética e política continua a iluminar o nosso pensamento e pode ajudar-nos a dar um rumo correto à Educação, colocando-a no sítio certo e conduzindo-a em função das finalidades certas e não das modas do momento ou dos interesses meramente materialistas, instrumentais, propagandistas ou ideológicos das elites dominantes. 

Para Aristóteles, a Educação não deve apenas ensinar o que é útil, as coisas práticas, mas também os costumes, a arte de viver bem, e acima de tudo as virtudes e o uso da razão. A importância de todos estes objectivos é de tal monta que nenhum deles deve ficar fora do âmbito da Educação. 

O debate actual entre os que defendem uma educação centrada na cognição e no raciocínio, vulgarmente designada de construtivista ou cognitivo-desenvolvimentista (o aluno é que constrói o conhecimento) e os que optam por uma educação centrada na prática, na resolução de problemas concretos e reais (a ideia de uma educação ligada à vida) foi antecipada por Aristóteles, o qual soube, melhor do que ninguém, encontrar solução para essa antinomia: três coisas devem contribuir para o florescimento humano, a natureza, o hábito e a razão. 

Devemos começar pelo hábito ou pela razão? Qual deve ter mais importância? O filósofo responde que devemos dar a mesma importância ao hábito e à razão e que os dois devem vir para a par. Cabe, por isso, à Educação não só fortalecer a razão, mas também proporcionar a oportunidade para a aquisição de bons hábitos e a correcção dos maus hábitos. Não é fácil o processo de aquisição de bons hábitos, mas é ainda mais difícil corrigir os maus hábitos; por isso, o melhor que os educadores devem fazer é certificarem-se de que as crianças não têm oportunidades para a criação dos maus hábitos. Daí que o cuidado com o ambiente onde as crianças vivem e são educadas, bem como com as companhias, constitui um assunto de extrema importância a que se deve dedicar toda a atenção. 

Aristóteles considerava que o poder da imitação, da observação e do exemplo eram extremamente fortes no processo educativo das crianças, pelo que aconselhava aos pais o maior cuidado na gestão dos ambientes e das companhias. Podemos inferir, a partir daqui, que Aristóteles, se vivesse hoje, consideraria extremamente nociva a influência da televisão. 

Aristóteles dedica um espaço importante de A Política ao tema da educação, preocupando-se com a discussão de vários assuntos: fim pacífico da Educação, a regulamentação dos casamentos e dos nascimentos, a educação da infância, o carácter e o objecto da educação, o papel da música e os limites da ginástica. 

Aristóteles não é, de forma alguma, um liberal, pelo menos se nós dermos ao termo o significado que Adam Smith lhe deu, no século XVIII; ao invés, acentua a importância do papel do Estado na Educação, considerando que o processo educativo é assunto demasiado complexo e importante para ser deixado apenas ao cuidado das famílias. 

Tendo estudado quase todas as Constituições do seu tempo e pesquisado, em profundidade, os costumes e a história de outros povos do Mundo Antigo, Aristóteles sabia o suficiente para afirmar que a felicidade do Estado e dos cidadãos depende, em grande parte, do tipo de Educação proporcionada aos cidadãos. Sabia, também, da enorme diversidade de modelos educativos existente no seu tempo, fazendo abundantes referência à Educação em Esparta que, em vez de promover a felicidade e as virtudes da justiça, temperança e prudência, enfatizava a preparação e o manejo das artes da guerra, invertendo, dessa forma, a correcta ordem de prioridades. 

Para Aristóteles, a finalidade maior subordina os objectivos menores, o menos bom está sempre subordinado ao melhor por sua destinação, assim como o bem menor deve estar dependente do bem maior; daí que a guerra, embora necessária em certas ocasiões, deve tender para a paz, a qual é um estado superior, tal como o trabalho deve estar subordinado ao repouso.

Aristóteles deixa-nos conselhos práticos sobre a educação de infância, chamando a atenção para as diferentes fases e adequação do processo educativo e do currículo a essas fases. Até aos cinco anos, a criança não deve ser submetida a qualquer processo de aprendizagem formal, pois a sua exposição à educação formal pode prejudicar o seu crescimento. 

Aristóteles critica, desta forma, a opção pela antecipação da idade de entrada na escola, bem como os processos de aprendizagem precoce. A partir daqui, podemos fazer uma crítica ao modo como as sociedades actuais estão a organizar a chamada educação pré-escolar, escolarizando a educação de infância e criando currículos de tipo cognitivista para as crianças com menos de cinco anos. 

Até aos cinco anos, as crianças só devem brincar, ouvir fábulas e movimentarem-se em liberdade, fazendo exercícios corporais de forma não estruturada. Só depois dos sete anos é que a criança deve ir à escola, submetendo-se, então, a aprendizagens formais. 

O currículo proposto por Aristóteles inclui Música, Ginástica, Geometria e Literatura e decorre até à puberdade. Segue-se um outro período que vai até aos vinte e um anos, em que o jovem aprende filosofia, ética, artes da governação, retórica e as mais variadas ciências. Aristóteles não foi um adepto da privatização da Educação. Como vimos atrás, considerava a Educação um assunto demasiado sério para ser entregue às famílias e aos privados. 

A ideia de fazer negócio com a Educação seria vista por Aristóteles como uma opção errada. Para o filósofo, a educação tinha um carácter público, devendo ser assunto do Estado, embora aceitasse que o Estado desse abertura para a criação de academias de carácter privado para educar os jovens dos 14 aos 21 anos. Quer a Academia de Platão, quer o Liceu de Aristóteles, incluíam-se neste caso. Oiçamos Aristóteles: “como não há senão um fim comum a todo o Estado, só deve haver uma mesma educação para todos os súbditos. Ela deve ser feita não em particular, como hoje, quando cada um cuida dos seus filhos, que educa segundo a sua fantasia e conforme lhe agrada; ela deve ser feita em público” (3).

Notas

1) Aristóteles (2002), A Política, S. Paulo, Martins Fontes, 65

 2) Idem, 68

3) Ibidem, 78

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A educação para a cidadania que os esquerdopatas não querem na escola

Ao contrário do que o atual Governo social comunista diz, não é preciso criar uma disciplina para ensinar cidadania. A educação para a cidadania deve impregnar todo o currículo, em particular a História, e deve fazer-se no respeito pela verdade dos factos e rigor histórico.

Os esquerdopatas não querem que os alunos conheçam a verdade dos factos. Eles escondem e falsificam a realidade com o objetivo de doutrinarem as novas gerações a aceitarem e valorizarem uma ideologia, um regime político e um sistema económico que trouxeram sempre e apenas miséria, pobreza, opressão e morte: o socialismo. 

Os esquerdopatas não querem que os alunos saibam isto: o maior genocida do século XX não foi Hitler, foi Mao Tze Dong. O sociopata chinês foi responsável pela morte de mais de 70 milhões de chineses. A seguir, surge Estaline, responsável pela morte de mais de 40 milhões de pessoas. Hitler vem em terceiro lugar: foi responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas. Em comum, Hitler, Estaline e Mao lideraram processos revolucionários de transformação radical das sociedades e economias. De comum, o apego ao socialismo. Na verdade, todos eles quiseram implementar projetos socialistas de caráter revolucionário. É isso que os esquerdopatas querem esconder das novas gerações. Mas é isso que os democratas devem lembrar todos os dias.

Ética cristã e guerra justa: a perspetiva que os esquerdopatas afastaram da escola

A guerra foi, sem dúvida, o problema ético mais importante do século XX. No século passado, morreram mais pessoas por efeito direto das guerras do que nos vinte séculos anteriores. O século XXI continua a enfrentar o mesmo problema ético com guerras sangrentas no Afeganistão, no Iraque, no Líbano e na Síria. A par das mudanças climáticas, da poluição e da pobreza, a guerra é um problema ético que gera controvérsia e disparidade de argumentos.

Os esquerdopatas impregnam o currículo de pacifismo acrítico em todas as situações, sobretudo quando o país atacado pertence ao universo do capitalismo liberal ou integra o chamado Mundo Ocidental.  Abrem, contudo, exceções: a guerra que os islâmicos radicais fazem ao Ocidente é uma guerra justa porque é, na perspetiva dos esquerdopatas, uma resposta à agressão imperalista, identificada pelos esquerdeopatas como a aliança dos EUA, alguns países da União Europeia e Israel.

Robin Gill (1) agrupa as respostas ao problema ético da guerra em quatro tipos: militarismo em todas as situações, militarismo seletivo, pacifismo seletivo e pacifismo em todas as situações.

No primeiro caso, defende‐se o recurso à guerra em qualquer lado, a qualquer hora e por qualquer causa.

No segundo, defende‐se o recurso à guerra defensiva quando um país é atacado por outro.

No terceiro, recorre‐se à guerra apenas quando se está convencido de que é uma guerra justa.

Por último, recusa‐se o recurso à guerra seja qual for a situação.

A ética cristã repudia a primeira resposta. As respostas b e c são aceitáveis apenas quando estamos perante guerras justas.

Para uma guerra ser considerada justa é preciso que respeite os seguintes critérios: 1) ser declarada por uma autoridade legítima; 2) ser defensiva, ou seja, constituir uma resposta a uma ameaça exterior; 3) usar meios proporcionais, ou seja, constituir uma resposta à ameaça exterior usando meios proporcionais aos meios usados pelo atacante; 4) haver evidência de que a guerra pode evitar males maiores.

Quando um destes critérios falha, a guerra não pode ser considerada justa.

É possível registar duas fases distintas na posição da Igreja Cristã face à guerra: a posição antes de Constantino e a posição depois de Constantino. Antes da conversão do Imperador Constantino ao Cristianismo, predominava a defesa do pacifismo em todas as situações. A defesa do pacifismo em todas as situações está, hoje em dia, limitada a pequenas congregações religiosas: Anabaptistas, Quakers, Amish e Testemunhas de Jeová.

No período pré‐Constantino, é possível destacar a posição inteiramente anti‐guerra de Tertuliano (160‐220). Orígenes (185‐254), embora contrário à guerra, admitia a participação dos cristãos em guerras conduzidas a favor de uma boa causa.

Foi preciso esperar por Agostinho de Hipona para que a ética cristã incorporasse o conceito de guerra justa. O bispo Ambrósio e o bispo Agostinho faziam a distinção entre uma guerra justa e uma guerra injusta, considerando que os cristãos não podiam isentar‐se de participar em guerras justas. Agostinho interpretava a condenação do uso da espada (Mateus.26.52‐3) como uma condenação do uso da espada sem a autorização de uma autoridade legítima (2).

A respeito da guerra é possível encontrar argumentos diferentes no Antigo e no Novo Testamento. A Bíblia Hebraica é mais favorável à guerra e está repleta de episódios que descrevem a guerra como uma solução sem que vislumbre nesses textos uma condenação clara do seu uso ou uma distinção entre guerras justas e injustas. A Novo Testamento é declaradamente anti‐guerra, embora Jesus e os Apóstolos nunca tenham feito a condenação do serviço militar.

A mudança da posição da Igreja Cristã face à guerra tem de ser compreendida à luz da conversão de Constantino. A partir de Constantino, o Cristianismo passa a ser a religião oficial do Império e a Igreja Cristã sai das margens da sociedade para assumir uma posição cada vez mais associada ao Estado, acabando por se fundir com ele, no século XIII, com o surgimento do conceito de Estado Cristão de natureza claramente teocrática. Foi nesse século que Tomás de Aquino viria a lançar as bases racionais de uma teoria da guerra justa que é, até hoje, a posição oficial da Igreja Católica, sucessivamente consagrada por várias Encíclicas.

No século XX, assistimos a uma mudança na natureza da guerra, tornando‐se ainda mais difícil aplicar os critérios da guerra justa. A utilização de armas nucleares e químicas, o terrorismo à escala global e os atentados suicidas contra pessoas inocentes são realidades novas que baralham e confundem os dados, tornando extremamente difícil colocar em prática a teoria da guerra justa. Ultimamente, são cada vez mais os eticistas cristãos que fazem a distinção entre causas justas para entrar numa guerra (ius ad bellum) e práticas justas de guerra (ius in bello). A fim de aprofundar esta temática, é essencial a leitura de alguns textos de Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino: do primeiro teólogo cristão, sugiro Resposta a Fausto, o Maniqueu XXII, 69‐76; do segundo, aconselho a Suma de Teologia, 2ª 2ae, 40.1‐2.

Notas

1) Gill, R. (2006) (Ed.). A Textbook of Christian Ethics. Londres: T and T Clark 2) Idem, p.196